Nos últimos meses, o nome da cirurgiã-dentista brasileira Larissa Caroline Cayres Pereira passou a aparecer com frequência nos sumários de periódicos científicos. Especialista em implantodontia pela Universidade Cruzeiro do Sul e em endodontia pela Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas, com registro profissional no Conselho Regional de Odontologia de São Paulo desde 2013, ela vem publicando em revistas revisadas por pares no Brasil e nos Estados Unidos. Seus trabalhos tratam de três frentes que raramente aparecem juntas na mesma autora: a biologia da regeneração óssea em implantes, a odontologia digital e a gestão dos serviços odontológicos. O que une esses estudos é a pergunta que ela faz em cada um deles: o que, de fato, a evidência permite levar para a cadeira do paciente e para a administração do consultório?
O trabalho de maior densidade científica foi publicado em setembro de 2026 no IOSR Journal of Dental and Medical Sciences, periódico revisado por pares com fator de impacto 5,164. Como autora única, Larissa examinou os mecanismos moleculares e celulares pelos quais a fibrina rica em plaquetas, conhecida pela sigla PRF, atua na osseointegração dos implantes dentários. A PRF é um concentrado obtido do sangue do próprio paciente, sem anticoagulantes, amplamente usado na implantodontia. Em geral, seu efeito é atribuído de forma genérica à liberação de fatores de crescimento. A revisão vai além. Mostra que a PRF estimula a proliferação, a migração e a diferenciação óssea de células-tronco mesenquimais por vias de sinalização específicas, como ERK1/2, TGF-β/Smad2/3, PDGF/Akt e BMP2/Smad1/5/8. Mostra também que esse efeito depende da dose, a ponto de concentrações muito altas de i-PRF poderem prejudicar a formação óssea. O texto descreve ainda microRNAs estáveis presentes na PRF, entre eles o miR-21 e o miR-146a, e vesículas extracelulares que transportam fatores de crescimento e podem ser liberadas da matriz de fibrina por até quatro semanas.
O artigo, no entanto, não para no entusiasmo pela técnica. Larissa classificou cada achado segundo o tipo de estudo de origem: laboratório, animal ou humano. Com isso, ela mostrou que quase toda a explicação mecanicista vem de estudos pré-clínicos, enquanto os estudos clínicos em humanos registram sobretudo ganhos transitórios de estabilidade nos primeiros momentos do implante e nunca mediram marcadores moleculares. A conclusão propõe uma agenda de pesquisa: caracterizar a PRF humana conforme o protocolo de preparo, conduzir estudos de dose-resposta e realizar ensaios clínicos com desfechos moleculares. É uma contribuição que organiza o campo, aponta onde a evidência é sólida e indica o que ainda precisa ser provado antes de virar rotina clínica. O tema está ligado à prática da autora, que utiliza o agregado plaquetário autólogo em enxertos ósseos, no preenchimento de alvéolos após extrações e no levantamento de seio maxilar, e que assina também uma revisão sobre as aplicações avançadas da PRF na regeneração óssea e tecidual em implantodontia.
Na odontologia digital, Larissa integra a equipe de onze pesquisadores que publicou, em agosto de 2026, o artigo “Perfil de emergência pelo método digital na implantodontia” no JNT Facit Business and Technology Journal, classificado como Qualis A2 no sistema brasileiro de avaliação de periódicos. O perfil de emergência é a transição entre a restauração sobre o implante e a gengiva ao redor, e influencia tanto a estética quanto a saúde dos tecidos. A revisão incluiu 26 estudos publicados entre 2010 e 2025 e analisou 17 deles em profundidade quanto ao método e aos resultados. O trabalho examina a técnica totalmente digital com escaneamento intraoral e mostra que os fluxos digitais otimizam a captura dos dados. Também registra que a evidência comparativa direta sobre a superioridade clínica do digital em relação ao convencional ainda é limitada. Os autores destacam, por exemplo, um estudo clínico em que o volume do tecido gengival sem suporte colapsou 14% em cinco minutos, achado que obriga qualquer técnica a reduzir esse tempo ao mínimo.
A produção de Larissa também se volta para a saúde pública e para o interesse nacional dos Estados Unidos. Em 2026, ela foi coautora de uma revisão narrativa publicada no South Florida Journal of Environmental and Animal Science sobre o lugar do canabidiol no controle da dor odontológica dentro da política de Massachusetts contra a exposição a opioides. O estado foi o primeiro do país a fixar em lei um limite de sete dias para a primeira prescrição ambulatorial de opioides, pelo Capítulo 52 de 2016, e seus dentistas foram os primeiros a adotar competências comuns de prevenção do uso indevido de medicamentos nas três faculdades de odontologia do estado. A revisão reuniu 18 referências e concluiu que o canabidiol é uma alternativa promissora, mas ainda não confirmada, para poupar opioides na dor aguda de origem dental. Segundo o estudo, a validação dessa alternativa depende de ensaios maiores e de um caminho regulatório farmacêutico estável.
A questão da força de trabalho odontológica norte-americana é o tema de outro artigo assinado por ela como primeira autora. Publicado em setembro de 2026 no IOSR Journal of Business and Management, periódico revisado por pares com fator de impacto 3,52, o texto intitulado “Empty Chairs, Aging Hands: The U.S. Dental Workforce Shortage and the Future of Oral Health Delivery in New York and New Jersey” examina a escassez e o envelhecimento dos profissionais de odontologia e suas consequências para a oferta de cuidados em saúde bucal em Nova York e Nova Jersey.
A gestão dos consultórios é a frente em que a experiência prática de Larissa mais se converte em produção acadêmica. Ela já chefiou um Centro de Especialidades Odontológicas do SUS, em Mauá, e administra consultórios como proprietária e sócia. Dessa vivência saíram três estudos de revisão de sua autoria dedicados à administração de clínicas odontológicas, um tema com pouca literatura específica. O primeiro discute indicadores de desempenho e fluxo de caixa em pequenos consultórios. Nele, ela sustenta que o volume de atendimentos, o lucro contábil e o dinheiro disponível descrevem aspectos diferentes do desempenho e precisam ser lidos em conjunto, e propõe conectar a capacidade ociosa das cadeiras e o atraso nos recebimentos às suas consequências financeiras. O segundo analisa 18 publicações sobre gestão da agenda e faltas às consultas. Organiza as estratégias conforme o problema que cada uma resolve: lembretes, ajustes no prazo de marcação, predição de faltas, sobreagendamento calibrado e reagendamento ao longo do dia. E recomenda ligar o monitoramento das faltas ao tempo de cadeira efetivamente perdido. O terceiro trata da qualidade percebida, da jornada do paciente e da retenção, e traduz a literatura sobre comunicação, confiança e satisfação em prioridades para antes, durante e depois da consulta. Nos três textos, a autora separa a evidência da odontologia da evidência de outros setores e evita prometer metas universais, uma postura metodológica pouco comum em publicações de gestão.
A trajetória acadêmica de Larissa começou ainda na graduação. Em 2012, ela foi coautora de um estudo publicado na Revista Ceciliana, da Universidade Santa Cecília, que acompanhou estudantes do primeiro ano de Odontologia em quatro momentos do ano letivo para investigar a relação entre estresse e disfunção temporomandibular, com protocolo aprovado pelo comitê de ética da instituição. O estudo identificou que cerca de um terço dos alunos apresentava algum grau da disfunção e que parte deles relatava piora em períodos de maior pressão. Ao longo das especializações, ela desenvolveu trabalhos sobre tratamento endodôntico em dentes de leite e sobre as vantagens e desvantagens das próteses provisórias sobre implantes. Também assina um relato de caso de escalpelamento craniofacial grave causado por ataque de cães, que descreve o manejo emergencial multidisciplinar de uma paciente de 52 anos.
O reconhecimento acadêmico se estende ao papel de avaliadora. Em 2023, Larissa atuou como avaliadora julgadora da RCMOS, a Revista Científica Multidisciplinar O Saber, e emitiu pareceres sobre seis artigos submetidos pelo sistema de revisão por pares. Por esse trabalho, recebeu o título de avaliadora “em reconhecimento aos relevantes serviços prestados na promoção e disseminação do conhecimento científico”. Ela participou do Greater New York Dental Meeting em 2025 e apresentou caso clínico no CIOSP 2026, o Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo. Em 2026, recebeu da Joint Commission on National Dental Examinations, órgão responsável pelos exames nacionais da odontologia nos Estados Unidos, o certificado de aprovação nos National Board Dental Examinations. Seus trabalhos estão vinculados ao identificador ORCID 0009-0008-2406-8137.
Vista em conjunto, a produção de Larissa Caroline Cayres Pereira traça um percurso coerente: parte da biologia celular que explica por que um implante se integra ao osso, passa pelas ferramentas digitais que tornam as restaurações mais previsíveis e chega à organização dos serviços que permitem ao paciente chegar à cadeira, ser atendido no tempo certo e voltar. Em todos esses temas, a autora busca a mesma coisa: distinguir com rigor o que a ciência já demonstrou do que ainda precisa ser testado, e oferecer a clínicos e gestores um caminho baseado em evidências.






































































